
O primeiro-ministro britânico admite “toda a responsabilidade” no seu papel na crise bancária. Numa entrevista ao "Guardian" publicada hoje, Gordon Brown afirma ainda que a recessão marca o fim de uma era de total liberalismo governamental, mas ressalva que o proteccionismo seria um erro.
“Aceito toda a responsabilidade pelas minhas acções, mas acho que estamos a lidar com um problema maior que é tanto de natureza global, como nacional”, afirmou o chefe do Governo britânico. “Talvez há dez anos, depois de a crise económica asiática, quando outros países pensaram que estes problemas tinham desaparecido, devêssemos ter sido mais duros”.
Gordon Brown tem sido acusado pelo seu rival conservador, David Cameron, de não assumir as suas responsabilidades na crise económica com um pedido de desculpas aos britânicos – o que tem contribuído para a liderança dos “tories” nas sondagens.
O "Guardian" considera que estas declarações podem ser interpretadas como uma resposta para aumentar as hipóteses do Labour nas legislativas previstas para o próximo ano. Num desafio ao Partido Conservador, Brown defendeu que um quarto mandato trabalhista “é fundamental para o país” e que “apenas governos de centro-esquerda progressistas podem resolver os problemas das mudanças globais”.
Também afirmou que “a ortodoxia de 40 anos, conhecida como consenso de Washington, a favor dos mercados livres chegou ao fim”. Mas ressalvou que não haverá um regresso ao “grande Governo”. “O ‘laissez-faire’ já teve o seu tempo. As pessoas do centro-esquerda e a agenda progressista devem estar suficientemente confiantes para dizer que a velha ideia de que os mercados eram eficientes e podiam resolver as coisas sozinhos já desapareceu”.
Durante a entrevista, o primeiro-ministro adiantou que a cimeira do G20, marcada para 2 de Abril em Londres, vai determinar se o mundo vai enveredar pelo proteccionismo. Isso, afirmou, “seria o caminho para a ruína”, semelhante ao fracasso da conferência económica de Londres em 1933, que assumiu a recessão como um facto para o resto da década.
in publico online 2009.03.17